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Le Cirque: O Espetáculo das Ninfas - As quatro estações. Part 2

22 de setembro de 2013


Leia a primeira parte do conto aqui
A criança riu diante da minha falta de reação. Mas o que eu poderia fazer? Se não ficasse muda pela que estava acontecendo, o ficaria pela beleza de Primavera.


Ela era negra como a terra mais fértil, e seus olhos eram tão verdes quanto folhas de uma árvore saudável. Seus cabelos mudavam de cor a cada momento, como se fossem um espelho refletindo as cores das flores. Vestia um simples vestido branco, e andava descalça pela terra que o chão havia se transformado.

- É lindo, não? - a pequena me perguntou.

Sua voz era tão serena e delicada, que eu quis ouvi-la para sempre.

- Sim. - foi a única coisa que eu consegui responder.

- Então por que vocês pintaram tudo de cinza?

Havia tristeza em sua voz, e eu me senti culpada por não ter uma resposta.

- Eu não sei.

- Desculpe-me, mas vocês são como parasitas, não? O mundo funcionava bem sem vocês aqui. A raça humana veio por último, e, mesmo assim, vocês conseguiram ser burros o bastante para achar que tudo foi feito para vocês. E, então, estão destruindo o que a mãe natureza lhes deu, querendo cada vez mais, como filhos ingratos. Talvez os humanos sejam um erro.

Novamente, fiquei sem palavras. Repentinamente, como se tivesse percebido que falou algo indevido, levou as mãos à boca.

- Eu não deveria ter dito isso. Afinal, você está aqui pelo espetáculo, não? Deixe-me começar. Suba naquela macieira.

Assim que subi, ela começou a cantar. Uma melodia linda, tão suave e envolvente que parecia me carregar. As flores começaram a ser mexer ao som da sua voz. Dentes-de-leão se levantaram e rodopiaram no ar, e então de "explodiram". Ela começou a dançar, e as flores a acompanharam. Quando ela girou, flores de diversas cores foram lançadas no ar, imitando-a. A dança se assemelhava ao ballet. Era a coisa mais extraordinária que eu vi em toda a minha vida. Havia magia ali. As folhas faziam um barulho ritmado que complementava a voz de Primavera. Em um dos saltos que deu, agarrou-se ao cipó da maior árvore daquele espaço. Prendeu-o em suas pernas e segurou-o apenas com uma mão, de um modo que fez com que o resto de seu corpo ficasse quase livre no ar. Como se quisessem "voar" também, a árvore soltou várias folha que caíram sobre ela, e o efeito resultante foi incrível. Ela cantava e ria, e eu cantava e junto. Então fui convidada à me juntar a dança. Ao descer de onde estava, senti as flores se mexerem aos meus pés, como uma carícia gostosa. Ela desceu do cipó também, e dançamos juntas, no meio de tudo aquilo. Era um sonho, e eu não queria acordar. Não pensava em nada mais, minha mente estava vazia. Eu nunca estive tão feliz.

Após um tempo que me pareceu tanto infinito, quanto curto demais, caímos no chão, exaustas. 

- Eu acabei de te dar a fórmula da alegria. Não conte-a a ninguém, ok?

- Se me deu, não percebi.

Ela riu.

- Exatamente. A felicidade pura é assim. Você simplesmente sente. -e subitamente tornou-se séria- Mas agora eu preciso ir. Você tem mais garrafas para ver. Mas nós vamos nos encontrar de novo.

Antes que eu pudesse protestar, ela me abraçou forte e sussurrou:

- Tampe minha garrafa quando levantar.

Assim que isso foi dito, tudo evaporou. Sumiu. Desapareceu. Desintegrou-se.A vela estava lá, como sempre esteve, e eu encontrava-me deitada no chão. Quando consegui recompor minhas noções de tempo-espaço, percebi a garrafa das flores aberta em minha mão, e uma folha grande na outra. Tinha um recado:

"Por favor, não se torne outra parasita. E aproveite o espetáculo!"

Li em voz alta, e, assim que terminei, ouvi sua risada encher o ar. Fui tomada de novo por uma alegria imensa. Tampei a garrafa e voltei-a para seu lugar na mesa. Peguei a de areia e respirei fundo antes de destampa-la. 

Afinal, eu não estava em um circo comum.
Esse belo texto foi escrito por Larissa Gab. dona de um imenso talento pela escrita. A conheci através de uma amiga, ano passado a convidei para postar uma historia aqui no blog e apos meses ela veio me surpreender com essa historia encantadora. Em breve a terceira parte.

A supervalorização da beleza

10 de setembro de 2013


Eu era uma adolescente normal. Tinha amigas verdadeiras, daquelas que estão com você pro que precisar. Namorar um garoto que, mesmo não sendo botino, me amava. Usava meus cabelos castanhos cacheados com todo orgulho. Estava um pouco acima do peso, mas minhas gordurinhas não me afetavam. Um dia, perdi o papel principal numa peça da escola por não fazer o "gênero princesa". Foi aí que decidi mudar.

Comprei revistas de dieta e fiz greve de fome, até que alcancei os tão sonhados 50kg. Pintei meu cabelo, afinal, as loiras chamam mais a atenção. Em seguida, alisei-os, pois li num artigo que cachos são ultrapassados. Pouco depois, terminei meu namoro. Agora que estava impecavelmente linda, não poderia ficar ao lado de alguém sem beleza exterior. Minhas amigas antigas? Rompi relações, claro. Ser vista ao lado de meninas que misturam estampas, queimaria meu filme. Fiz novas amizades com pessoas perfeitas assim como eu, e pensei que viveria um conta de fadas. 

No entanto, não precisei chegar ao final para saber que seria infeliz. Percebi que minhas novas amigas eram fúteis, mas já era tarde para reatar os laços com as antigas, que alegavam não gostar do meu novo jeito de ser. Descobri que amava o meu ex-namorado, mas ele não quis voltar por eu tê-lo magoado quando terminamos. Mas o que isso me importava? Eu estava linda como sempre sonhava. Quando percebi as idiotices que havia feito, tentei consertá-las. Não foi fácil reconquistas a confiança de pessoas que eu havia machucado, mas me esforcei. E consegui. Hoje, abri mão de toda futilidade da ditadura da beleza e estou realmente feliz, como era antes de entrar nessas roubada. O que aprendi com isso? Beleza não põe mesa. Por mais que seja supervalorizada, não vale a pena abrir mão de seus valores por algo meramente exterior. Sua essência dizia quem você realmente é.

Texto escrito por Samira Andriotte.
Quer ter seu texto publicado aqui? Mande um e-mail para stephaniecomp-h@hotmail.com

Boneca de pano

1 de setembro de 2013


Talvez eu seja uma boneca de pano, cujo coração foi roubado. E um rombo gigantesco foi deixado em meu peito. De repente, veio uma dor forte e se instalou em mim. E ficou, em cada metro de meu corpo rendado, com meus panos e babados. Os meus vestidos passaram a ser mais escuros, independente do cair da noite ou do levantar do dia. Eles só eram propícios se mais próximos do negro que me abrangia. Chegou uma hora em que não os quis mais trocar, não fazia diferença. Todo dia eu acordava e botava minha mão sobre meu peito, apertava-o, e não sentia nada. 

Até que, em uma noite pouco escura e menos sombria, eu vi um clarão no canto de minha cama. Cheguei minhas mãos até ele, e encontrei ali, meu coração. Abri meu armário, peguei minha caixa de costura e retirei a atadura de papel que cobria meu peito de pano. Coloquei meu coração de volta e o costurei, cuidadosamente. Talvez eu realmente seja essa boneca de pano com o coração rascado. Porque, sim, ele voltou para mim, sim, meus vestidos e panos o cobrem, eu o abrigo. Mas não o sinto assim. 

Ele voltou intacto e esse foi o problema. O coração da triste boneca de pano não fora amado como amara, não fora desejado como desejara, e não teve o que quis. O coração da boneca não era nada além de um pedaço fofo de pano, em formato reconhecível. Ele não fora modificado, e pior, não fora roubado. A bonequinha queria que alguém a amasse como ela o amaria e, para isso, teria de ter consigo uma parte de seu coração. Mas, vendo-o voltar intacto, percebeu que sua missão fora incompleta, sem sucesso. Talvez eu realmente seja essa boneca de pano, cujo coração roubado não fora amado, cujas pessoas em volta não se misturam, cujo caminho é um ponto de interrogação. E, principalmente, cuja procura será guiada até que encontre aquele pedacinho minimo de seu coração, que ainda não percebeu sumir, mas que fora roubado, discretamente, para ser modificado, tocado e amado.

Texto escrito por Geovana Zaltman Sadcotitz.

Gostou do texto? Gostaria de fazer parte da tag "Texto de outro autor"? Mande seu melhor texto para o e-mail stephaniecomp-h@hotmail.com, quem sabe você não aparece por aqui

Le Cirque: O Espetáculo das Ninfas - As quatro estações. Part 1

27 de agosto de 2013


Aquele circo não tinha nada de extraordinário. Talvez fosse normal até demais. Estava bem conservado, mas as marcas do tempo eram visíveis. Seu nome também não era algo muito inovador: Le Cirque, apenas isso. O Circo.

Mas a saudade falou mais alto. A lembrança dos circos que eu visitei quando criança e como tudo era bonito e impressionante, me fizeram ignorar o quanto aquele circo parecia ser um daqueles que tem espetáculos mal produzidos, com pipoca porcamente feita, e pagar a entrada para assistir o que eles tinham a oferecer. Havia uma leve esperança de que aquele circo fosse realmente velho, e que a tradição valesse o espetáculo.

O bilheteiro era um senhor doce que vestia roupas de época, algo bem antigo mesmo, que lhe caía perfeitamente. Avisou-me que o espetáculo principal demoraria a começar, e que eu poderia andar pelas outras tendas. Mas, além da tenda principal e a do bilheteiro, havia apenas a da lanchonete, cartomante, e uma escarlate não identificada, em péssimo estado de conservação, onde uma velhinha, também trajando roupas de clássicas, estava parada há um certo tempo. Ela sorriu ao me ver.

- Então jovens ainda frequentam velhos circos?

- Não sei os outros mas eu sim. São a melhor parte da minha infância. Pra mim são lugares mágicos.

Ela riu da minha resposta. Mas não foi um riso de deboche, e sim como se ela estivesse feliz em ouvir isso.

- Então talvez você queira ver. A principal atração desse circo, por anos, foi a mágica. Até que as pessoas simplesmente pararam de acreditar nisso. Mas, se você acredita de verdade, você precisa ver. Dentro desta tenda tem quatro garrafas. Você poderá ver todas. Gire a rolha que as tampa sete vezes, e então puxe.

- Mas o que exatamente tem dentro delas?

- Hoje é dia das ninfas. Elas te mostrarão o que quiser. Apenas aproveite e agradeça-as quando acabar.

Então eu entrei. A tenda era pequena e escura, iluminada apenas por uma vela no centro de uma mesa, no meio do espaço. Ao redor da vela, haviam quatro garrafas. Uma continha flores, a outra areia, a terceira folhas secas e a quarta, algo meio parecido com sorvete branco e neve.

Escolhi a primeira.Após sete giros puxei a tampa e a garrafa se abriu, como a senhora havia falado. A vela se apagou, mas a escuridão não me engoliu por mais que alguns segundos. A luz voltou aos poucos, vinda de algum lugar que nunca consegui descobrir. As flores, surgidas do nada, também eram um mistério. A pequena tenda transformou-se num grande círculo, cheio de flores das mais variadas espécies e perfumes, juntamente com várias árvores frutíferas. As paredes e o teto estavam cobertas por cipós e trepadeiras, como heras e maracujás-roxos. Era uma beleza que eu pensava ter sido extinta da natureza pelo homem. Estava tão maravilhada que pulei de susto quando senti puxões e minha blusa. Era uma criança pequena, tão bela quanto a paisagem, que usava uma coroa de flores.

- Obrigada por ter me escolhido primeiro. Eu sou a Primavera.

Esse belo texto foi escrito por Larissa Gab. dona de um imenso talento pela escrita. A conheci através de uma amiga, ano passado a convidei para postar uma historia aqui no blog e apos meses ela veio me surpreender com essa historia encantadora. Em breve a segunda parte.

Internet é o novo crack e a velocidade da desinformação

13 de julho de 2013


Quem nunca encontrou em algum site aquele texto incrível, capaz de te dar vontade de sair espalhando para todos lerem também de tão incrível e interessante que ele era? Isso vive acontecendo comigo e, sempre estou dando minhas conclusões do tal texto no twitter (@stephanie_gl) ou falando do quanto ele era bom e ler e reler. Enfim, foi ai que pensei; "Porque não compartilha-los no blog?" Então ficou assim; quando encontrar aquele texto legal venho publicar no blog. Teremos textos de outro autor:

"Difícil missão essa de viver em 2013. Despertar com o alarme do iPhone e ao abrir o primeiro olho, correr para o instagram para ver quem curtiu e comentou as suas fotos. Depois, o Twitter, pra ver as mentions, e com sorte, uma DM reveladora. Depois o Facebook, que deu uma bagaceirada e te enche de notificações de festas que você não quer ir, e alguns aplicativos inúteis. Por último o e-mail, repleto de mensagens de sites de compras coletivas de cidades que você sequer pisou. E enfim, abrir os dois olhos e dar o primeiro bocejo, em pleno inverno (glacial) paulistano.

A gente toma café, sai pra trabalhar. Entra em outro computador. E no caminho do trabalho, não larga o iPhone, mesmo com um pouquinho de medo de assalto. No trajeto, curte o microcosmo das suas músicas, e do fone de ouvido design. Se alguém te pede informação você já fica #chateado porque tava chegando no refrão e teve que tirar o fone. Passamos o dia inteiro esbravejando pelo sinal miserável, o 3G sofrido, e a bateria ridícula do iPhone. Quando dá 60%, já começo a surtar. Quando chega aos 20%, é motivo de aflição completa: medo do isolamento, e da obsolescência. O vício de lembrar de sempre passar a mão no bolso direito da calça para ver se ele está lá. O vício de sempre passar a mão no banco do táxi pra ter certeza que não o esqueceu. Tudo para não se desconectar.
As pessoas simplesmente desaprenderam a marcar compromissos como se fazia antes do telefone celular. Lembra que a gente ligava para a casa das pessoas, cumprimentava a mãe do amigo da escola, e pedia pra ela passar adiante? Depois marcava com o amigo às 14h30 na esquina da rua pra andar de bicicleta pelo bairro, e os dois chegavam pontualmente. Não tinha essa de mandar mensagem (tô chegando, tô preso, atrasei). Não podia deixar na mão. E hoje quando a gente se encontra em um bar, difícil mesmo é largar mão do iPhone. Pior só nos festivais, onde telefone simplesmente não funciona – e ninguém se encontra, porque a gente desaprendeu a viver. Porque teoricamente, temos o iPhone pra mandar uma mensagem e nos reencontrarmos. Só que não.

A impressão que dá é que se a gente não estiver conectado, vai estar perdendo alguma grande notícia. No final das contas, nem tem uma grande notícia. Às vezes chega um e-mail ou outro com uma novidade legal. Mas poderia ser um telefonema old school. Ou até, pessoalmente. As coisas incríveis nas vidas de todas as pessoas sempre aconteceram e chegaram de algum jeito. A gente se enche de informação que não serve pra nada e até perde um pouco da capacidade de interpretação – com tanta coisa rolando sujeita à aprovação, às vezes você deixa de clicar em algo que poderia te agregar algum conhecimento porque só duas pessoas deram like, e alimentamos a nossa cota diária de voyeurismo e vício em sites idiotas.

Perdemos alguns rituais. Mal compramos discos, não sabemos as caras dos cantores, a identidade visual. É legal ver os clipes no Youtube, mas depois fechamos a janela, e ele já se foram. Até mesmo o DVD já tá sumindo do mapa. Apagamos as músicas, se foram as memórias musicais. Abra a sua gaveta de discos dos anos 90 com suas anotações nos encartes, a etiqueta que diferenciava os seus discos, dos da sua mãe, e da sua irmã e veja a quantidade de memórias que isso vai te trazer. Nos conectamos com o mundo, e nos desconectamos de nós mesmos.

Isso porque eu nem comecei a falar de amor – saber que a pessoa que você tá a fim leu a mensagem no Whatsapp e não te respondeu doí mais do que quebrar uma perna. Será que é mesmo esse o mundo ideal? Não sei como mudar. Só sei que tem coisa demais, tem opção demais. Tá tudo muito no nosso alcance. O que é bom deixa de ter o valor devido, porque pode ser substituído a qualquer segundo com um clique. Me sinto um pouco prisioneiro dos maus hábitos que desenvolvi. Largar meu iPhone? Jamais. Apenas sobreviver em uma eterna relação de amor e ódio. Queria menos Wikipedia, mais Barsa, Almanaque Abril e dicionários. Menos iTunes e mais discos. Menos Skype e iMessage, e mais quem eu gosto me olhando cara a cara. Coragem, viu."

Esse texto foi escrito por Caio Braz, dono do blog Caio Braz (vale dar uma passadinha por lá). E vocês, quais são suas conclusões acima do vicio pela conexão?

Sozinho, mas bem acompanhado

24 de abril de 2013


Inegavelmente gosto das mulheres bonitas. Em especial tenho um gosto por sorrisos. Sorrisos me fazem ficar apaixonado. Nada como uma linda mulher e um belo sorriso. 

Mas além disso, o que me chama a atenção é a diferença. O que torna aquela mulher única, no meio de tantas outras belas mulheres e belos sorrisos. O que me chama a atenção é o que ela pensa, e acredita, e segue como ideal de vida. O que chama a minha atenção e me faz estar interessado é a capacidade daquela mulher de tirar minha atenção do sorriso dela, e passar para o que ela está falando. Gosto de estar apaixonado e interessado por uma mulher. Amo estar interessado por uma mulher.
Quando me perguntam "e as namoradas?", respondo, tenho visto muitos belos sorrisos. 

Texto de: Fernando Zucchelli. 

Talvez seja tarde demais

29 de outubro de 2012


E quando ela se vê, já estava lá, e não podia mais voltar atrás, estava rodeada de sangue, seus pulsos estavam cheios de cortes, não havia mais lugares para eles em seu corpo. Estavam cheios de machucados causados por lâminas, cheios de cicatrizes, marcas que nunca saíram completamente. Seu coração, pobre coração, havia sofrido tanto nessa vida ... Essa menina, aparentava ser tão forte, e de alguma forma ela era forte, até demais, ela aguentou tantas coisas por tanto tempo sem nada demonstrar...

Menina, pobre menina, estava morta por dentro há tempos, anos talvez, mas dessa vez ela estava morrendo de verdade, para nunca mais voltar, ou talvez voltar em outras vidas, quem sabe... Mas dessa vez já era, tudo havia acabado, quando ela viu, já estava desacordada no chão e seu coração já tinha parado de bater... É, talvez ela esteja bem melhor agora, finalmente descansará em paz.

Suellen

22 de outubro de 2012


Vestiu seu clássico tubinho preto,vestido que ressaltava lascivamente seus 100 ml de silicone,sua barriga(ou falta de),fruto de uma dieta rigorosa e sua bunda perfeitamente esculpida por meses de academia.Era uma morena pra ninguém botar defeito.

Calçou em seus pés os sapatos com 10 cm de acrílico que estava usando.Seus pés já não mais reclamavam de usá-los,estavam acostumados a virar noites na pista de dança.

Aos poucos, as peças da lingerie de renda preta voltaram ao seu corpo suado após horas a fio naquele chão desconhecido.

Lavou seu rosto,retirando os restos do batom vermelho que resistiram em ficar lá,após tantos copos,bocas e outras coisas não mencionadas

E, no final,encarou seus reflexo no espelho,e permitiu-se vagar por dentro de seus olhos vazios,que nada lembravam os dois globos alegres que eram à poucas horas atrás.Viu seus segredos,medos,repressões,vontades,desafios,sua história,emoções e todas as coisas que formam uma pessoa.Viu todos os mistérios que guardava,e que ninguém iria desvendar.Viu todo o preconceito que sempre fora obrigada a aguentar.E de repente viu-se perdida ali,no emaranhado que era ela mesma.Enfrentou a situação com frieza,ajeitou seu cabelo,e não permitiu que a água em seus olhos escorresse por seu rosto.

Não havia dormido sozinha e não queria expressar sentimentos.

Afinal,sentimentos pertencem às pessoas,e ela era apenas um estereótipo.

Texto por Larissa Chan

Chega!

1 de outubro de 2012


Chega. Chega de se limitar, chega de pensar. Chega de adivinhar  Chega de amar. Chega de esperar! Porque é que não conseguimos apenas viver? Sem esperar por nada, sem temer por nada. As coisas seriam tão mais fáceis e tranquilas, tanto pra quem faz, quanto pra quem leva. A vida tem me deixado numa angústia estonteante, e ao mesmo tempo numa alegria insana. Acho que até pessoas como eu, sempre tão decididas, alguma hora, vão cair perdidas à meio de suas próprias confusões e verdades. Verdades que nem sabemos quais são, pois se soubéssemos não estaríamos confusos. Afinal quem é que tem dúvida entre uma verdade e uma mentira? A verdade é sempre melhor, digna. Mas nem sempre ela vem em fatos, e quando se trata de coração, aí sim, ela está sempre oculta. E muitas vezes nem sempre é descoberta. Isso desgasta, cansa. Como qualquer outra coisa que não se é mais afim. Cansa manter uma pose do que já não te interessa. E porque é que fazemos isso às vezes? Ora, seria mesmo pelo outro? Ou por medo de perdemos o que está aqui, nas nossas mãos? Chega a ser absurdo o quanto a gente só se importa com a gente. Bobo é quem se preocupa com o outro não é mesmo? É sempre assim... O fato é que a independente do que aconteça na nossa vida, temos que tentar seguir um bom caminho. Não que seja o certo ou o errado. Mas o bom, o bom pra gente, o bom pro outro.

Texto escrito por Lydia Reis. Para ler mais textos escritos por ela é só visitar o blog Amargamente doce.

Amadurecendo

6 de junho de 2012


Um dia a gente cresce, querendo ou não. Nossos gostos, nossos medos, nosso estilo, nossos objetivos, tudo muda. A gente para de acreditar em "contos de fadas", para de acreditar nas histórias que nos contavam quando eramos menores, a gente cresce, amadurece e percebe que crescer não era tão bom. A gente tem que criar responsabilidade, tem que criar coragem para enfrentar nossos medos sozinhos, temos que correr atras dos nossos sonhos e temos que aprender a da valor enquanto temos. A gente tem que aprender a resolver nossos problemas, a fazer nossa comida e ser independente. Temos que valorizar a família e os poucos amigos verdadeiros. Emfim, agente vai crescendo e aprendendo e só ai a gente percebe, que quando eramos crianças eramos tão ingenuas, ao ponto de achar que a vida de gente "grande" era perfeita.

Por Michele C.

Expectativas

26 de maio de 2012


Me fala, quem nunca foi se arrumar pra sair, e ficou no banheiro horas imaginando conversas e o momento? Nem sempre isso é bom, porque o que imaginamos pode ser ao contrário, pior, ou melhor ... Mas acho que eu gosto de me decepcionar, vocês não? A gente passa horas na frente do espelho, tira todas as roupas do armário, passa litros de perfume, e fica ensaiando diálogos que no fim não acontecem. Digo isso porque é verdade. Ficar ensaiando coisas pro que falar, pro que fazer, da sempre o inverso, surge o medo, a insegurança, ja passei por isso, vocês não? Expectativas, foge da realidade ou não ... Medo, é uma das coisas que fazem parte na hora do momento. Imaginar conversa, na hora, não diz por medo. Eu passei por isso, imagino coisas, pensamentos, momentos, mais na hora não sai completamente nada. E com o meu medo aprendi que é bom deixar que o momento seja natural, o momento sendo natural, não têm falhas, não têm decepções, tristezas. No fim você percebe o bem que fez aquele momento, principalmente com a pessoa que amamos, tanto amigo, família, namorado (a) ... Marcou de sair, ou de um amigo ir a sua casa: não programe nada, seja natural, pesquise, pergunte oque gosta de fazer, mais não programe, coisas natural, é sempre bom ... Vou dar uma dica pra vocês, nunca pense: 'Na próxima vez vai ser tudo diferente, e eu não vou pensar mais'... Você tá querendo enganar quem? Será três vezes pior. Criar expectativas, não faz bem a ninguém, viva o momento e a realidade, deixa as coisas fluir naturalmente...

Amor a distancia

24 de maio de 2012


Quem disse que pra amar têm que estar perto? A coisa mais significante é amar alguém que está longe! Alguém que não está por perto, alguém que foi e disse: "me espera, jura me esperar?". Alguém que resolveu tomar um rumo na vida, escrever uma nova história, mais não esquecendo da ultima página que fechou de sua antiga história. Um passado que é lembrado pelo atual presente. Um amor que vive no coração, nos pensamentos, e na fala! É esse amor que a distância não permite que acabe. Isso mostra o quanto tanto o sentimento se torna verdadeiro. Falta, quanta falta nos faz aquele passado, aquele momento? Então se não pode ver ... ouça. Se não pode ouvir ... leia. Se não pode ler ... aprecie as imagens. Viva o hoje aproveitando cada segundo, pois se um dia houver uma distância amorosa, lembre-se que ontem foi o melhor momento. 

Por Mozart Damiao

E se o amanhã não vier?

22 de maio de 2012


O dia de amanhã não está prometido a ninguém, seja ele jovem ou velho. E hoje pode ser sua última chance de segurar bem apertado a mão da pessoa que você ama. Se você está esperando pelo amanhã, por que não fazer hoje? Porque se o amanhã não vier, você, com certeza, se arrependerá pelo resto de sua vida de não ter aproveitado aquele tempo especial com um sorriso, um abraço ou um beijo. Tudo porque você estava 'muito ocupado' para dar àquela pessoa o que acabou sendo o último desejo que ela queria. Então, abrace o seu amado, a sua amada, o seu filho, a sua filha, o seu amigo HOJE. E dê esse abraço bem apertado. Sussurre no seu ouvido, dizendo o quanto você o ama e o quanto o quer junto de você. Gaste um tempo para dizer: desculpe-me, por favor, me perdoe, obrigado, ou ainda, não foi nada, está tudo bem. Isso porque, se o amanhã jamais chegar, você não terá que se arrepender pelo dia de hoje. Pois o passado não volta e o futuro talvez não chegue.